domingo, 17 de fevereiro de 2013

E ai, quem se liga na maré de azar?

 Sou um cara que sempre pensa positivo, não me deixo influenciar por pensamentos negativos, ignoro críticas destrutivas e sempre penso que as coisas darão super certo para mim. Mas diante de tanta merda, esses pensamentos são reconsiderados.

 "Ah, Ariel! Não seja exagerado! Existem crianças na África em situações piores que a sua!". Foda-se, são problemas diferentes. Percebi este "inferno astral", por assim dizer, faz pouco tempo.

 Há umas semanas eu participei de um teste de elenco (gosto de dizer que sou ator) para uma cia. teatral. Semana inteira de preparação intensiva, trabalhando enlouquecido em cima do texto... Cheguei diante dos que fariam a escolha, tive um primeiro momento tranquilo de conversa com o pessoal, falei de mim, do meu trabalho... Até ai, perfeito. Fui para a segunda etapa do teste, que seria interpretar este monólogo no qual fiquei um tempão trabalhando. Desastre. Nunca estive tão nervoso em toda minha vida, nem em apresentações, nem em gravações, nem em conversas, NUNCA.

 Apesar de tudo, o diretor da cia. disse que eu era um dos bem cotados para a vaga (RÁ!), mas não passei. Meu pensamento positivo me fez acreditar que isso era necessário, porque há notícias ruins que camuflam notícias boas. Ingenuidade desta criança que vos escreve (ou não).

 Surgiu uma gravação fantástica para mim durante a semana que sucedeu esta catástrofe artística. Meu coraçãozinho juvenil se encheu de alegria, saí pisando com a delicadeza de quem pisa em flores. Ah, pobre Ariel...

 Vim por saber que não receberia pelo trabalho, até ai, morreu Neves. Cago para o dinheiro que posso vir a receber com isso, não é necessário pra mim ainda, já que sou sustentado pelos papais (like a pessoas que põem VASPP no Facebook). O que me encafifou nesta história toda, é que o organizador estaria recebendo dinheiro; por uma questão de princípios, recusei o trabalho. Mas ainda posso vir a fazer, não é por picaretice ou algo do gênero que o trabalho não é pago. Quem me convidou é o "cabeça" de um grupo de curta-metragens que visa fortalecer laços com essa produtora em prol do grupo do qual faço parte, acho justo. (por favor, vocês que são da área e estão lendo isso, não venham com aquele papo chato de desvalorização da carreira e coisas do gênero. Não vou falar quem é, gravação do que, que produtora e coisas do gênero).

 Até ai, estamos bem, dois trabalhos a menos... Na minha cabeça, isso significa: "UMA NOTÍCIA GIGANTESCAMENTE BOA ESTÁ POR VIR, SÓ PODE SER UM CONVITE DA BROADWAY!" Não, não era isso, mas era bem semelhante (ao meu ver). Surgiu uma oficina que poderia abrir uma porta maravilhosa para minha carreira como ator. Me inscrevi, pedi um empréstimo ao meu querido padrinho para pagar o curso, e ele, muito solícito, não hesitou em me emprestar o dinheiro. Fiz um reajuste em horários para poder participar dessa oficina. A oficina foi transferida para março por diversos motivos já explicados para mim.

Quase cortei os pulsos com bolacha maria molhada no leite. Fiquei incrivelmente irritado com a notícia, quase virei o Hulk com o sentimento negativo que nessas horas já dominava meu ser. Depois refleti... O pensamento positivo deu sinal de vida e pensei: "Poxa, deve ser o universo conspirando a meu favor... Ainda vou fazer a oficina! Ainda terei a oportunidade dessas portas serem abertas! Quem sabe alguém especial para minha carreira ou para minha vida pessoal só pudesse fazer nesse período para qual a oficina foi adiada? Meu Deus, que homem de sorte sou eu!"

 Então, deixo esse post em aberto, ao fim de março. Quando terminar esta oficina, trago a vocês o post: "E ai, quem se liga nessa maré de sorte?"

@Vilhalvam

3 comentários:

  1. Muito bom, Ariel. Muito mesmo! Parabéns! Você escreve muitíssimo bem, deveria ser ator e, posteriormente, quem sabe, um diretor (ou até escritor, se você perceber que atuar pode não ser sua praia...).

    Mais uma vez, parabéns!

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    1. Muito obrigado, cara! É bom ter um feedback positivo! =D

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  2. Sempre rio quando leio os desabafos de tu Ariel, pobre juvenil. Sabe, eu já havia falado contigo sobre os curtas, e ainda acho que nossos curtas brasileiros (os que são motivados por diversos fantasiosos infantis e de alguns que são direcionados na tv) ainda estão fracos. Mas do que adianta ficar reclamando sem poder mudar? Desejo a ti uma boa sorte na carreia de ator. Tu consegue meu amigo, te conheço a um tempo já. Paciência é necessário. Vou te ver ainda na malhação em, hehe. Abraço e continue escrevendo.

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